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Iludido por si mesmo

“Tem misericórdia de mim e atende ao meu clamor! Meu coração se endureceu como raiz em terra seca, e já não pode agir de acordo com tua lei. Quero te obedecer em tudo, quero ser à tua semelhança. Mas sou levado de um lado a outro pelos enganos do meu coração, e meus olhos veem aquilo que não existe.

Leva-me, Pai amado, àquele lugar onde vejo com os teus olhos. Leva-me ao lugar onde sou carregado por ti! Leva-me onde a verdade traz a tona todo engano em meu coração, tornando-os ridículos aos meus olhos! E ensina-me a ver como o Senhor vê.

Sinto-me como quem foi apanhado em armadilha, perdendo, assim, seu direito de liberdade. Por não enxergar o futuro dos meus passos, me encontrei neste presente. Fui pescado com iscas de engano e falsidade. Devolve-me ao mar, agora com a consciência de que há lugares por onde não devo nadar!

Tu és o meu refúgio, minha esperança, és aquele em quem deposito minha fé. Se o Senhor não agir, se Tu não me livrares, estou fadado a morrer em completo desgosto. Se a tua mão não estiver comigo, melhor me é morrer do que viver. A vida se torna chão pedregoso para todo o que tenta viver por ti, para que aqueles que não são ajudados pelo Senhor sejam confundidos e enganados, e assim retornem aos seus caminhos perversos. Não me deixe cair nesta ilusão! Não seja eu seja levado pelos meus olhos, e o meu coração não me domine. Que a tua graça me dê a visão, que a tua misericórdia me conceda a verdade do coração, para que os meus pés sejam firmes e minha alma seja reta.

Dá-me um coração quebrantado por Ti, porém endurecido contra o pecado. Abre as portas da minha vida para a longanimidade, benignidade e paciência, e fecha estas mesmas portas para o desânimo, ira e perversidade. Que minha vida seja exemplo da tua infinita misericórdia. Que minha história seja refrigério ao coração dos fracos e desamparados que esperam em Ti. Então a alegria do Senhor povoará a terra da minha existência, e com júbilo subirei ao teu encontro no momento determinado por ti.”

Vinícius Albuquerque

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”
Salmo 23.4

O Salmo 23 é um salmo de confiança no cuidado de Deus. É um salmo completamente focado no que Deus pode fazer pelo salmista. Ele começa dizendo: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Alguns acreditam que uma tradução melhor diria “O Senhor é o meu pastor e nada desejarei”. O significado do versículo é este: O que é pastoreado pelo Senhor está tão suprido que não precisa de mais nada, por isso não deseja nada além do que o seu Senhor pode dar. Este é o tema central do salmo.

A amplitude do cuidado de Deus neste salmo passa por descanso (verso 2), renovo (“refrigera a minh’alma”), direção (versos 3 e 4), honra (verso 5) e graça (verso 6). Meu foco neste texto é a direção.

O salmista, que a maioria acredita ter sido Davi, diz que ainda que ele andasse pelo vale da sombra da morte não temeria. Freqüentemente, na Bíblia, se associa sombra com a idéia de coisas que vem antes de outras. Paulo, por exemplo, diz que as leis cerimoniais do antigo testamento (comidas, bebidas, festas) eram sombra das coisas futuras (Colossenses 2.16-17). O escritor de Hebreus também usa esta analogia enquanto fala do significado dos elementos do judaísmo, dizendo que eles eram sombra do que viria (Hebreus 8.5). É como se a Bíblia apresentasse como sombra tudo o que está vindo como prenúncio, ou aviso, de algo maior. É a representação de algo tão próximo que já faz sombra.

O que o salmista estava dizendo era: “Ainda que eu ande em um lugar onde a morte esteja tão perto que eu já enxergue sua sombra sobre mim, não temerei mal algum”. O motivo de não temer é simples: “Tu estás comigo”. A presença de Deus dá um conforto tão grande às ovelhas que elas passam próximas à morte sem temer, simplesmente porque Deus está ali, com elas. E como elas reconhecem esta presença? Pela direção que elas têm.

A vara e o cajado são objetos usados pelos pastores para manter as ovelhas no local de sua vontade. Se o pastor quer que as ovelhas pastem em determinado pasto, ele usa o cajado para guiar as ovelhas até o pasto escolhido. Que tristeza é viver sem direção!

“Então disse ele: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa”
I Reis 22.17

Ovelha sem pastor é ovelha sem senhorio, sem direção. Davi está dizendo que o consolo que ele tem é que existe um cajado e uma vara colocando-o, a todo o momento, na direção certa, no centro da vontade de Deus. É consolo para nossa alma saber que, não importa onde estejamos, um cajado se levanta e nos leva para a direção certa. Como podemos, então, reconhecer este cajado que nos consola?

“E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas”
Marcos 6.34

Quando Jesus encontrou uma grande multidão que era como ovelhas sem pastor, começou a ensinar muitas coisas. As ovelhas estavam perdidas, sem direção. Jesus começa, então, a ensinar. Jesus estava dando uma direção às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ele estava consolando as ovelhas, pacificando os corações, colocando uma direção no coração delas. As palavras de Jesus são Espírito e vida (João 6.63). O Espírito Santo, o Consolador (João 16.7), nos dá a direção certa, nos guia à verdade (João 16.13).

Você nunca entrou em crise, querendo saber a vontade de Deus sobre determinada coisa? Você nunca teve medo de pisar onde não deve? Nunca teve medo de tomar uma decisão precipitadamente? Eu só não sou assombrado por estas dúvidas porque uma certeza tomou o meu coração: A Tua vara e o Teu cajado me consolam! Se sou ovelha e começo a me desgarrar, um cajado se levantará para me consolar!

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